WILL I'AM
São as manifestações artísticas, culturais e literárias que nos conferem identidade, autenticidade e liberdade e por isso necessitamos ter acesso aos bens culturais como o cultivo das artes, da literatura, do teatro e de outras formas de expressão da criatividade, que nos servem para alimentar o espírito, cultivar a dignidade e ampliar os horizontes. Com mais de quatro séculos e meio em que nos deparamos com o mito, ainda a primeira questão que nos vem ao espírito é: ele tem ou não tem essa realidade? Essa grave interrogação e tantas outras se colocaram a alguns intelectuais dispostos, ao que parece, a negar a realidade do gênio Will, negacionistas à sua maneira; são os antistratfordianos. Confrontaram, às vezes rudemente aos ortodoxos, puros de "teimosos", aos admiradores irrestritos do Bardo, os que fizeram de Stratford um lugar de peregrinação.
De fato, infindáveis teses se opuseram seja para defender a memória de Shakespeare, seja para contestar que esse histrião, o jovem de vida desregrada, de baixa extração em todo caso, rural, fosse realmente e verdadeiramente autor de obras-primas como Hamlet, Rei Lear... os sonetos e poemas.
Outros, como Marlowe ou Bem Johnson, que conheciam a fortuna e renome, pareciam mais dignos delas. Ressalto, Marlowe teria sido incapaz de escrever, por exemplo, Hamlet, pois morreu assassinado em 1593. E por que ambos deveriam usar-se de "plágio" quando sua própria glória lhes bastava.
Antistratfordianos diziam ser, um nobre, que não desejava revelar seu nome, tomou o de Shakespeare.
Das muitas teorias da conspiração, Sir Francis Bacon, postula o assassinado de Shakespeare antes de morrer aos 106 anos, em 1667.
Enfim, a história de mais de quatro séculos de disputa pela herança de uma autoria rende boa leitura densa e divertida, James Shapiro desconstrói todas hipóteses e dúvidas de forma brilhante a respeito do homem de Stratford. Talentoso e preciso descreve ao final um Shakespeare simples e misterioso: um homem de teatro que lia, observava, sabia ouvir e de boa memória. Shapiro é envolvente, psicologicamente sutil. É fundamentalmente, um retorno a sanidade sobre "Quem escreveu Shakespeare?
Evidente que, para os que refutam a existência do Bardo e, se Shakespeare não é Shakespeare, todo o culto que lhe prestam em Stratford desmancha-se como um pudim ao sol, ou sendo mais inglês, como uma torta de mação que não atingiu o ponto.
- Então, quem escreveu Shakespeare senão William?


